quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Como fazer cruzamento industrial

Cruzamento industrial é o cruzamento entre indivíduos de raças diferentes, em que, em geral, o touro é oriundo de uma raça pura. Esse sistema busca o aumento da eficiência na produção de carne.
O cruzamento entre raças, ou heterozigose, busca gerar heterose, ou vigor híbrido, para um grupo de características comercialmente importantes, particularmente de reprodução e sobrevivência. A heterozigose permite que a produtividade dos cruzados exceda a produtividade das raças-base.
É muito desejavel manter a heterozigose alta, produzida somente através do cruzamento entre raças em rebanhos comerciais. A heterozigose para qualquer característica é gerada a partir de um cruzamento de raças que diferem na frequência dos genes que controlam a característica - quanto maior a diferen~ça na frequência dos genes, maior a heterozigose no animal cruzado.
  • OS GRUPOS RACIAIS:
  1. ZEBUÍNOS: caracterizam-se pela adaptação ao calor dos trópicos, são extremamente rústicos com alta resistência a ecto e endoparasitas. Nelore, Gir, Guzerá, Tabapuã e Brahman são exemplos desse grupo.
  2. TAURINOS BRITANICOS: São produtores de carne. Alta velocidade de crescimento, precocidade sexual, fertilidade e qualidade de carne. Aberdeen Angus, Red Angus, Hereford, Devon, Red Poll e Shorthorn são os europeus britânicos mais utilizados.
  3. TAURINOS CONTINENTAIS: também produtores de carne de qualidade, elevado peso ao nascer, alto rendimento de carcaça e menor porcentagem de gordura. Limousin, Charolês, Simental, Belgian Blue, Marchigiana são raças exemplares desse grupo.
  4. TAURINOS ADAPTADOS: evoluíram em regiões tropicais. São animais de maior resistência ao calor e rusticidade. Tem potencial de crescimento mais baixo devido a menor exigência na alimentação. Exemplares dos taurinos adaptados são: Bosmara, Caracu e Senepol.
  5. RAÇAS SINTÉTICAS E COMPOSTAS: a sintética é formada por duas raças com grau de sangue fixado, visando manter bons níveis de heterose e adaptabilidade. Já os compostos são formados por três ou mais raças. No Brasil, as raças compostas mais usadas são Canchim, Braford, Brangus, Simbrasil, Stabilizer, Beefmaster e Montana.
  • TIPOS DE CRUZAMENTO:
  1. CRUZAMENTO TERMINAL COM DUAS RAÇAS: um touro taurino continental com uma matriz zebuína. A geração F1 desse cruzamento é destinada ao abate. Esse cruzamento possibilita 100% de heterose nos produtos, elevado potencial de crescimento e simplicidade na execução e flexibilidade do sistema.
  2. CRUZAMENTO TERMINAL COM TRÊS RAÇAS: engloba o acasalamento de um taurino britânico com uma matriz zebu. A progênie é destinada a reprocução. Assim, a matriz F1 é cruzada com uma terceira raça e todos os produtos dessa união são destinados ao abate. Como terceira raça são indicados taurinos adaptados ou raças bimestiças como o Canchim, Simbrasil ou Santa Gertrudis.
  3. CRUZAMENTO ROTACIONAL: nesse sistema, são utilizados duas ou mais raças, alternadas entre gerações. Esse cruzamento é ideal para os criadores que desejam usar as fêmeas produtos do cruzamento para reprodução. O objetivo é o abate dos machos e a reposição das matrizes com as fêmeas obtidas no cruzamento. As raças indicadas são o Angus, Hereford, Devon ou Senepol.
No rotacional com duas raças, também chamado CRISSCROSS, duas raças são acasaladas. As fêmeas resultantes são mantidas como reposição e acasaladas com uma das raças parentais. Nas gerações seguintes, as fêmeas são acasaladas um com reprodutor da raça diferente das raças utilizadas no cruzamento inicial.
No sistema rotacional com três raças, também denominado TRICROSS, duas raças são acasaladas e as fêmeas resultantes são mantidas como reposição e acasaladas com uma terceira raça não relacionada com as raças utilizadas anteriormente. Dessa forma preservam-se as mesmas características maternais do primeiro cruzamento.

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