A necessidade de criar um novo protocolo para touros que já não produzem mais sêmen ou que já morreram, motivou a ciência a buscar uma solução: o sêmen reverso. A técnica surgiu no Brasil, em 2008, quando empresas que já trabalhavam com sêmen sexado por citometria de fluxo identificaram a possibilidade de realizar o mesmo processo (separação de espermatozóides X e Y) a partir de doses convencionais congeladas.
O processo é similar ao do sêmen sexado. Desgongelam-se duas ou mais doses de sêmen. Uma vez preparada, a amostra é colocada no citômetro de fluxo, onde ocorre a separação dos espermatozóides.
O fluorocromo ligado ao DNA dos gametas é excitado pela luz UV proveniente do raio lase, que gera uma fluorescência proporcional ao conteúdo de DNA da mesma. Identificadas as subpopulações dos espermatozóides X e Y, um cristal envia uma descarga elétrica, positiva ou negativa, sobre a microgota contendo o espermatozóide selecionado, e a mesma logo é atraída por uma placa com carga elétrica oposta.
O sêmen sexado é recolhido em tubos que, posteriormente, são refrigerados a 18ºC, para finalmente ser utilizado para fecundação com a determinação de nascimento de fêmea ou macho, de acordo com a necessidade do cliente.
Segundo a diretora científica do laboratório da Tecgene, Karina Beloti Avelino, atualmente, 10% da sexagem de embriões compreende a utilização do semen reverso. "O número de adeptos esta crescendo principalmente por essa assertividade na produção", afirma.
Um dos clientes do laboratório é Renato Esteves, presidente da Associação dos Criadores de Guzera do Brasil e proprietário do Haras Habi, em Amparo-SP. Segundo o criador, a região não possui grandes fazendas e pasto extensivo, tornando o mercado difícil. Por isso, desejavam-se uma producao maior de femeas e um numero menor de machos. Com o semen reverso veio a oportunidade de selecao.
"Atualmente são quase inexistentes doses de sêmen sexado no mercado, em raças não leiteiras. Por isso, o sêmen reverso, realizado a partir de doses convencionais prontas, tornou-se uma excelente opção", ressalta Estes, que passou a utilizar a técnica.
Fonte: Revista Guzerá - abril 2009

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